Flamingos
Cronologia da observação de flamingos em Portugal.
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Até 1980 apenas se conhecem registos históricos muito pontuais, disponíveis em bibliografia antiga,
sendo a espécie considerada muito rara em Portugal.
De 1981 a 1997, os flamingos começaram a ser observados com alguma regularidade. Os dados
sobre a presença dos flamingos neste período resultam unicamente das contagens de aves
invernantes efectuadas pelo CEMPA / ICN durante o mês de Janeiro (com excepção de 1992, em que
houve um censo mensal). Ao longo destes anos, a espécie foi observada unicamente em 4 locais; o
estuário do Tejo, o estuário do Sado, a ria Formosa e o sapal de Castro Marim.
A partir de 1998 deixou de haver dados publicados sobre as contagens de aves invernantes, não
havendo informação sobre os quantitativos observados nas quatro zonas húmidas principais. Contudo,
foi nesta fase que os flamingos começaram a aparecer noutros locais do país, em números
progressivamente crescentes.

1981
No âmbito das contagens de aves invernantes efectuadas no mês de Janeiro, são contados 225
flamingos no estuário do Tejo e 33 no sapal de Castro Marim.

1982
Neste ano apenas foram contadas 25 aves no estuário do Tejo.

1983
Foram contadas 5 aves no estuário do Tejo.

1984
Nao houve observações no estuário do Tejo. Os restantes locais não foram objecto de contagem.

1985
Neste ano não houve recenseamento.

1986
A espécie apenas foi registada no estuário do Tejo, com 33 indivíduos.

1987
Nao houve observações no estuário do Tejo. Os restantes locais não foram objecto de contagem.
No dia 5 de Agosto foi confirmada a nidificaçao na reserva de Castro Marim (
ver detalhes)

1988
A partir de 1988 os flamingos foram registados anualmente em Portugal e os seus efectivos
começaram a aumentar de forma gradual. Neste ano foram contadas 150 aves, novamente no Tejo.

1989
Manteve-se a tendência de aumento. O número de indivíduos no estuário do Tejo atingiu os 240. Foi
feito o primeiro registo no estuário do Sado, com 63 indivíduos. Adicionalmente, contaram-se 300 em
Castro Marim e 17 na ria de Faro (ria Formosa), conduzindo a um total de 620 aves contadas em
Portugal.

1990
O Outono de 1989-90 foi extremamente chuvoso e isso poderá explicar a súbita quebra nos números:
apenas 21 aves no estuário do Tejo, 21 na ria de Faro e 52 no estuário do Sado. Já em Castro Marim o
total subiu para 430. O total cifrou-se em 524 flamingos.

1991
Neste ano o número de flamingos voltou a aumentar e bateram-se recordes no número de flamingos
nos vários locais recenseados: foram vistos 336 no estuário do Tejo, 211 no estuário do Sado e 459
em Castro Marim. Pela primeira vez o total nacional superou os 1000 indivíduos.

1992
No mês de Janeiro o total nacional foi de 1222 aves, ligeiramente acima dos números do ano anterior,
com a maior concentração em Castro Marim (524 aves).
Ao longo deste ano, fizeram-se censos mensais de flamingos no estuário do Tejo e na ria de Faro e,
em certos meses, também no estuário do Sado e na reserva de Castro Marim. Foi no estuário do Tejo
que se registaram as maiores concentrações, atingindo as 1900 aves em Junho e Julho e as 2000
aves em Setembro e Dezembro. Na reserva de Castro Marim, observou-se um máximo de 1055 aves
em Novembro (sendo necessário esperar quinze anos até voltar a haver um registo de mais de 1000
flamingos neste local). O total nacional atingiu os 3348 flamingos no mês de Dezembro.

1993
Este foi o ano de todos os recordes. Mercê da seca prolongada que se vivia no sul de Espanha, foram
contados 2781 flamingos no estuário do Tejo e 1591 no estuário do Sado. Somando os 726 em Castro
Marim e os 142 na ria Formosa, nesse ano foram contados
mais de 5000 flamingos em Portugal. Este
total nunca mais voltou a ser registado, permanecendo até hoje como um número recorde.

1994
Embora diminuindo ligeiramente face ao ano anterior, os quantitativos mantiveram-se elevados nos
dois estuários, superando os 1000 indivíduos tanto no do Tejo como no do Sado. Já no Algarve foram
batidos recordes, com 248 aves na ria de Faro e nada menos que 989 aves em Castro Marim.

1995
Os números caíram substancialmente em relação ao ano anterior, mas mesmo assim mantiveram-se
elevados. A maior concentração ocorreu no estuário do Tejo com 1670 indivíduos, seguindo-se a
reserva de Castro Marim com 819.

1996
Contrastando com os 4 Invernos anteriores, este ano foi bastante chuvoso e isso reflectiu-se em
quebras acentuadas do número de flamingos presentes no estuário do Tejo (apenas 53 aves) e
também no Sado (320 indivíduos).

1997
Em 1997 os quantitativos de flamingos nas quatro zonas húmidas foi relativamente modesto, tendo
sido contadas 356 aves em Castro Marim. Seguiu-se o estuário do Sado com 248 e o Tejo com
apenas 177 aves (quinze vezes menos que o recorde batido em 1993). Também neste ano a espécie
apareceu pela primeira vez no distrito de Beja (lagoa dos Patos) e no distrito de Coimbra (2indivíduos
no estuário do Mondego em Setembro).

1998
São poucos os registos publicados em 1998. Nesse ano foram observados 9 indivíduos no estuário
do Mondego em Setembro e 2 indivíduos no sapal de Pera (actual lagoa dos Salgados) em Dezembro.
Destaque também para uma observação na barragem do Carregueiro (Aljustrel) em Outubro, uma das
primeiras observações publicadas no interior do país.

1999
Datam deste ano os primeiros registos de flamingos no estuário do Arade (Portimão), com 15 aves em
Novembro e 17 aves em Dezembro. Para além destes, apenas se conhece um registo de 6
flamingosno sapal de Pera, em Janeiro.

2000
No ano da viragem do milénio foi publicada muito pouca informação sobre flamingos: apenas uma
observação de 22 aves em Janeiro, no estuário do Arade.

2001
Em 2001 houve novas observações no Baixo Alentejo, nomeadamente na lagoa dos Patos (máximo de
40 aves em Agosto) e no Monte Novo da Horta (11 aves em Dezembro). Mas a grande novidade deste
ano foi o aparecimento da espécie na ria de Aveiro (33 indivíduos no final de Dezembro)

2002
Foi talvez o ano de maior expansão geográfica do flamingo em Portugal, assistindo-se ao
aparecimento da espécie em inúmeros novos locais e ao aumento de efectivos nos locais onde tinha
aparecido nos anos anteriores. Entre os novos locais são de referir a Barrinha de Esmoriz em Junho, a
albufeira da Caldeira em Julho, o paul do Boquilobo em Agosto, o canal de Mira e a Costa Nova (Aveiro)
em Setembro, a herdade do Esporão em Outubro e a lagoa de Óbidos em Dezembro (registando-se
assim o aparecimento da espécie nos distritos de Évora e Leiria). Em termos quantitativos são de
destacar 311 indivíduos na lagoa dos Salgados em Julho e 390 aves no estuário do Mondego em
Outubro.

2003
Neste ano voltou a haver concentrações importantes no estuário do Mondego, com um máximo de 355
indivíduos em Agosto. Um indivíduo isolado no paul do Boquilobo em Julho e 2 aves na lagoa de
Óbidos em Outubro foram outros registos dignos de nota.

2004
Em 2004 registou-se a primeira observação documentada no Parque do Tejo, às portas de Lisboa (3
aves em Dezembro) tendo também havido registos da espécie em novos locais do interior alentejano,
nomeadamente na zona de Alcáçovas e no Monte Novo (Aljustrel). Na lagoa de Óbidos houve
observações regulares de Setembro a Dezembro, mas nunca excederam as 8 aves. O número de
flamingos no estuário do Mondego foi novamente elevado no Verão, com 309 aves em Julho.

2005
Neste ano o número de observações publicadas caiu substancialmente, o que dificulta a análise da
situação da espécie. Entre os poucos registos recebidos, destaca-se o aumento do número de aves
na lagoa de Óbidos, que atingiu os 22 indivíduos em Março e os 29 em Dezembro. Houve também
registo de concentrações importantes no interior alentejano, com 35 aves no Monte das Banhas (Viana
do Alentejo), 100 aves na albufeira da Caldeira (também em Viana do Alentejo) e uma notável
concentração de 377 aves na lagoa dos Patos em Setembro, sendo esta a maior contagem alguma
vez efectuada no interior do território.

2006
A observação do ano envolveu 1050 aves na ilha da Morraceira (estuário do Mondego), fazendo deste o
terceiro local do país onde foram observadas concentrações superiores a 1000 indivíduos. No interior
do território foram registadas as primeiras observações no distrito de Portalegre (albufeira do Caia) em
Setembro e Outubro.

2007
O Algarve esteve em destaque no ano de 2007: a reserva de Castro Marim tornou-se o quarto local do
território nacional com um registo de mais de 1000 flamingos, graças à observação de 1235 individuos
em Agosto. Também no barlavento a espécie se tornou mais frequente, com algumas observações de
mais de 200 aves na zona de Portimão. Tambem no interior alentejano houve um aumento do número
de observações, com registos de mais de 100 indivíduos em diversas albufeiras.
Na ria de Aveiro a espécie também deu nas vistas, com um maximo de 500 aves em Agosto e cerca de
duas centenas durante o ultimo trimestre.

2008
Em 2008 verificou-se uma explosão no número de aves observadas na ria de Aveiro, que atingiu os
575 em Janeiro e culminou nos 1100 em Junho, elevando para cinco o número de locais com mais de
mil flamingos. Também na lagoa de Óbidos os números aumentaram de forma expressiva, tendo-se
observado mais de 100 aves neste local em diferentes ocasiões. No interior do território a observação
mais significativa envolveu cerca de 600 indivíduos distribuídos por três albufeiras na zona de
Montemor-o-Novo, sendo também de referir duas observações na lagoa dos Patos envolvendo 321
aves em Julho e 432 aves em Agosto.

2010
Em Maio deste ano foi confirmada a nidificação na lagoa dos Salgados (ver detalhes).
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